Em busca do sucesso – North Florida Ospreys

O sucesso de uma universidade menos conhecida no basquete universitário é muito passageiro. As conhecidas “mid-majors” enfrentam dificuldades de calendário e equipes mais qualificadas nos jogos não-conferencionais. Exemplos de equipes de sucesso rápido não faltam e impressionam todos no mês de março, no início do March Madness. O Torneio final carrega as conhecidas “zebras” desde seu primeiro jogo e isso torna o Torneio tão único e emocionante. Os principais casos de zebras desde 2010 foram esses:

– Cornell (2010): Sweet 16
– Richmond (2011): Sweet 16
– VCU (2011): Final Four
– Ohio (2012): Sweet 16
– Florida Gulf Coast (2013): Sweet 16
– Wichita State (2013): Final Four
– Dayton (2014): Elite 8

Esses casos ocorreram somente no March Madness, no entanto vários jogos surpreendentes acontecem durante a temporada regular. Um dos principais times da conferência Atlantic Sun é a Universidade de North Florida Ospreys. O time que só chegou a primeira divisão do basquete universitário em 2010, foi uma vez ao Torneio final, em 2015, sendo eliminado logo de cara para Robert Morris. A esperança da Universidade, que começou seu histórico em 1992, no NAIA e disputou a segunda divisão do College, é centrada em duas pessoas: o associate head coach (auxiliar técnico principal) Bobby Kennen e a estrela da equipe, Dallas Moore.

Keenen, que nasceu em Lakewood, New Jersey, jogou sua carreira universitária numa Junior College – Palm Beach Atlantic College e atuou durante os quatro anos de graduação (1989-1993). O trabalho como técnico começou logo após sua finalização na carreira de jogador universitário. Bobby treinou três equipes no High School americano e foi auxiliar em mais duas, chegando ao nível universitário na temporada de 1999-2000, ao ser admitido auxiliar técnico em Wichita State. Entretanto, Kennen e a Conferência Atlantic Sun pareciam estar ligados. Na temporada seguinte, o técnico chegou à Universidade de Jacksonville e depois passou por Campbell, sempre como auxiliar técnico. Em Campbell, Kennen ajudou a equipe a ter o melhor desempenho da Universidade desde 1995-1996, obtendo 14 vitórias.

Tudo mudou em 2009 quando a recém-promovida North Florida chegou à primeira divisão da NCAA e o técnico Matthew Driscoll convidou Kennen para ser seu auxiliar. A história de North Florida se confunde com a de Kennen e o sucesso dela é dependente do trabalho do auxiliar. O próprio auxiliar se sente orgulhoso do trabalho na conferência e na Universidade: “Eu sou extremamente afortunado por fazer parte da Conferência Atlantic Sun por tanto tempo. Trabalhei para treinadores excepcionais, que são ainda melhores pessoas.”

Nesta temporada, North Florida venceu quatro de seus 15 jogos. O desempenho não é tão bom, mas tem uma explicação: o calendário complicado.

resultados-unf

As vitórias ocorreram contra equipes de outras divisões e North Dakota, equipe da Conferência Big Sky. O calendário de North Florida foi complexo e organizado para esta dificuldade, como Kennen afirma: “Nós nunca fugimos de um desafio quando se trata de calendário. Ele expõe nosso programa e Universidade em cenário nacional. Por fim, não há nada como jogar o Torneio da NCAA como fizemos há dois anos. Tudo o que fazemos está nos preparando para ganhar outro campeonato da Conferência Atlantic Sun.”

Das equipes que North Florida perdeu, sete estão no Top 100 do ranking KenPom, uma das principais referências de estatísticas do basquete universitário: Auburn (89), Miami (26), LSU (92), Florida (14), Syracuse (45), Arkansas (44), UConn (83) e Cal State Bakersfield está na 106ª posição. As derrotas mais sentidas foram contra Texas-Rio Grande Valley, Wright State e Florida International, equipes consideradas mais fracas que North Florida. O próprio KenPom coloca o calendário de North Florida como o 14º mais difícil do país e dentre seus adversários, os quais juntos somam o sexto calendário mais difícil para marcar pontos, com somente 97.2 pontos a cada 100 posses de bola. Já no Haslametrics, outro site que contêm estatísticas do College, o calendário de North Florida é o 11º mais difícil do país. Ou seja, foi muito complicado para os Ospreys.

A esperança cresce a partir do dia 7 de janeiro quando North Florida enfrenta Jacksonville, ex-universidade de Bobby Kennen, no início dos jogos da Conferência Atlantic Sun. O principal adversário dos Ospreys será Florida Gulf Coast, equipe muito qualificada e que surpreendeu o país em 2015 chegando ao Sweet 16 do March Madness. Para vencer a conferência e participar do Torneio como em 2015, North Florida precisa do talento de seu principal jogador, o armador Dallas Moore. Senior nascido em Saint Petersburg, Flórida, Moore tem tido a melhor temporada da carreira. Seus 22,1 pontos de média o credencia a ser o 15º maior cestinha da temporada entre as 351 equipes da primeira divisão da NCAA. Que scorer! Bobby Kennen, que viu toda a evolução do menino, considera que o jogador pode chegar a NBA: “Dallas Moore é um jogador especial. Ele tem todas as ferramentas para fazer isso na NBA. Sua ética de trabalho combinado com seu conjunto de habilidades, paixão e disciplina lhe dará a chance de competir em nossos jogos no mais alto nível.”.

149200_web1_spt07floridaunf_bk_0_1
Dallas Moore tem a incumbência de levar North Florida ao March Madness

Matthew Driscoll, técnico da equipe, trabalha com até onze jogadores na rotação, número muito alto quando se trata de basquete universitário e ainda mais de um programa não tão conhecido e de recrutamento menos qualificado. Somente Moore tem mais de 30 minutos de média (33.9) nos jogos e a base da equipe joga em torno de 20-28 minutos por jogo, havendo alta intensidade em todos os momentos da partida. Dos seis principais pontuadores, três são seniors, um junior e dois calouros. Bobby, que tem a missão de recrutar jogadores do High School para a equipe, tem feito um bom trabalho, já que Moore era um prospecto duas estrelas e se tornou uma estrela máxima no nível universitário. Além disso, há uma dificuldade muito grande para universidades de pouca penetração nos estados conseguirem bons prospectos. North Florida compete com todas as outras equipes do estado da Flórida por prospectos, o que torna a missão de Kennen um tanto árdua.

O sucesso dos Ospreys nesta temporada passa por Dallas Moore e seu grupo de apoio. Garrett Sams, Romelo Banks e Wajid Aminu, outros pontuadores da equipe, precisam ajudar Moore na dura tarefa de vencer a Conferência. Bobby Kennen estará lá, ajudando Matthew Driscoll a levar North Florida ao Torneio em março. Nada mais representativo que o lema da equipe: “GO OSPREYS!”.